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Gonçal Mayos PUBLICATIONS

BOOK PUBLICATION http://orcid.org/0000-0001-9017-6816    - Interrelación filosófico-jurídica multinivel. Estudios desde la Intercons...

Nov 1, 2014

EMPODERAR PARA A PÓS-INDUSTRIALIZAÇÃO

É vital o “direito à cidade” mas hoje um novo tipo de labirinto  pós-industrial impede o empoderamento cidadão. Vemos o porquê e apontamos como capacitar (empoderar) nessa situação. Temos de distinguir o capitalismo fordista-taylorista e o   pós-industrial cognitivo. Analisaremos seus diferentes empoderamentos e alienações, especialmente para a emigração rural. E vamos indicar linhas de empoderamento.


Partiremos do “direito à cidade” (Henri  Lefebvre, David Harvey), pois a cidade é o âmbito social mais concreto, compacto e próximo à vida quotidiana das pessoas. É o acesso real, próximo e por antonomásia à civilização, à cidadania, aos direitos civis e políticos (“civitas”, “pólis”). Só na cidade pode ser pensada a interação (sem complexos mecanismos de representação) de acordo com todas as facetas humanas: de convivencia, produtivas, culturais, educativas, decisões políticas, etc.



Inclusive as pessoas que (se dizem) “não têm poder” costumam ter uma mínima agência própria interagindo entre si e criando relações  cívicas, as redefinindo e as transformando. A cidade é o âmbito da  dualidade mínima da ação política: “pensar global, atuar local”; pensar  holista e  globalizadamente; empoderar e atuar como cidadão, em sua cidade (G. Mayos).


Agora bem, o direito à cidade se está a perverter aceleradamente gerando “cidades sem cidadãos” ou com cidadãos  desempoderados. As cidades também são lugar de exclusão e que muitas vezes constituem labirintos alheios, alienantes, desorientadores e  excludentes. Para  empoderar a cidade e a política devemos  compreender o quando, o por quê e para quem a cidade atual consiste em um terrível  labirinto.

Pensando em países como o Brasil onde convivem áreas pós-industriais muito avançadas com outras de industrialização  fordista-taylorista clássica e outros ainda muito rurais, valorizamos o sofrimento e a dificuldade de empoderamento dos habitantes. Sobretudo analisamos a situação quando migram de um desses meios rurais aos pós-industriais da  sociedade do conhecimento.

Encontramos-nos com dois tipos de dificuldades e sofrimentos que  glosamos com um belo conto de Jorge Luís BorgesOs dois reis e os dois  labirintos”. Um é como o duro,  disciplinado e também repressivo mundo industrial,  fordista e taylorista; enquanto o outro é como o flexível, líquido-arenoso, sem guia e aparentemente não  coercitivo mundo  pós-industrial. No primeiro tudo são restrições, bloqueios e caminhos a uma única direção. Assim como a maioria do trabalho e da formação sãos muito exigente,  disciplinados e com pouca liberdade.

Todavia na atual pós-industrialização cognitiva e turboglobalizada tudo parece possível, a informação é aparentemente muito fácil de se conseguir e está em todas partes, porém não há guias nem estabilidade, pois o vento da mudança acelerada move tudo, assim como move as dunas de areia.

Argumentamos que, embora pareça que no labirinto pós-industrial haja mais “liberdade”, em realidade é mais desesperante e desorientador, especialmente para a população que migrou das áreas rurais. Defendemos o por quê. Pois no atual capitalismo cognitivo  pós-industrial não basta com se submeter  abnegadamente durante uma longa jornada de trabalho… senão que  tem de aprender (e desfrutar) em  explorar-se a si mesmo, até ao exaurimento e sem que a alienação sirva de desculpa (Byung- Chul Han).




São terríveis as expectativas a longo prazo para os trabalhadores cognitivos pós-industriais formados na atual modernidade líquida e turboglobalizada, tanto mais para a populações formadas em contextos rurais ou pré-industriais (p.e. do Brasil).  Pois enfrentam-se a enormes dificuldades psicológicas, culturais, de hábitos e relações sociais, de estratégias vitais e formas de empoderamento

Exigem-se que assumam uma longa e imprevisível formação que, ademais, facilmente se mostra obsoleta (Mayos: Sociedade da ignorância). Pois -para a sociedade cognitiva  pós-industrial e  turboglobalizada- todos valemos tão só o que agora mesmo vale para os mercados essa formação profissional e, inclusive, o projeto de vida que a fez possível. Um erro -ou simplesmente ter  desfalecido ante essa   muito complexa formação- implica facilmente o fracasso, a  obsolescência cognitiva e inclusive a exclusão social.

Hoje aparecem  novos bloqueios e muito pouco estudados, tal como as novas “elites  extrativas” (Daron  Acemoglu e James  Robinson) e novos mecanismos que ampliam as diferenças sociais e de riqueza (Thomas Piketty). São causadoras de que enormes capas sociais não possam empoderar-se de si mesmas nem fazer frente à exclusão e à pobreza. Por isso, devemos pensar em intervenções mais complexas, macrofilosóficas (G. Mayos) e atendendo ao conjunto de retos culturais e cosmovisionais a que se tem de fazer frente. Como tem mostrado  Amartya  Sen, para que estas populações possam  empoderar-se não basta –sendo imprescindível- lhes garantir o acesso efetivo aos recursos necessários, sobretudo devem ser capacitados no marco do capitalismo pós-industrial, cognitivo e turboglobalizado



Se o trabalho é desejo reprimido (Hegel), o capitalismo atual exige diferí-lo (Jaques  Derrida) enorme e indefinidamente, por exemplo numa crescente longa formação. Por outra parte, a sociedade de consumo impede reprimí-lo (como na industrialização clássica) e usa todo o desejo como um incentivo, apesar de distinguí-lo. Isso prejudica especialmente a parte da população mais afastada das experiências  formativas chave do atual capitalismo cognitivo.

No  fordismo-taylorista era exigida uma grande  submissão e disciplina durante o tempo de trabalho, em troca costumava receber sem atrasos  sua pobre “recompensa” (seu salário). Na sociedade do conhecimento  pós-industrial, o acesso ao trabalho e a recompensa material se mostraram de modo distinto porque se analisava uma complexa e dilatada formação. Assim se converteu o trabalhador em investidor e empresário de si mesmo, desde muito cedo  na sociedade da absoluta tentação para o consumo! (Jean  Baudrillard,  Gilles  Lipovetsky).

Não menosprezemos estas dificuldades  cosmovisionais e de mentalidade social e encaremos sua superação  empoderando a população proveniente de um degradado meio rural, agrário e  pré-industrial. Ademais não são os únicos! Mas sua migração ao  labirinto cidadão  pós-industrial é pior que a  teorizada por Karl  Polanyi,  Marx ou por Michel  Foucault (teoria do “encerro moderno”). Hoje temos que  empoderar para a  labiríntica cidade  capitalista,  pós-industrial e cognitiva!

Em conclusãoSão muito diversas as mentalidades, atitudes, capacitações e empoderamentos necessários para o capitalismo  fordista-taylorista e para o cognitivo  pós-industrial e  hiperconsumista. Só se pode empoderar para este último desde sua análise rigorosa, pois confundí-los é hoje parte do problema. (Tradução prof. Diva Julia Safe Coelho, UB)
De estas cuestiones hay resumenes en castellano en el post CAPITALISMO COGNITIVO: LABERINTO CIUDADANO. La primera parte del desarrollo completo está en el post ¿DERECHO A LA CIUDAD?, la segunda parte en el post  COGNITIVO-POSTINDUSTRIAL CONTRA FORDISTA-TAYLORISTA y la tercera parte en SOCIEDAD DEL DESEO DIFERIDO HASTA EL COLAPSO.

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